{"id":48,"date":"2013-09-27T14:42:00","date_gmt":"2013-09-27T14:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/paroquianossasenhoradaescada.com\/newsite\/?p=48"},"modified":"2013-09-27T14:42:00","modified_gmt":"2013-09-27T14:42:00","slug":"nao-apenas-turistas-mas-peregrinos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/paroquianossasenhoradaescada.com\/newsite\/nao-apenas-turistas-mas-peregrinos\/","title":{"rendered":"N\u00e3o apenas turistas, mas peregrinos"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista com Frei Paolo Martinelli por ocasi\u00e3o do &#8220;Festival franciscano&#8221;, realizado em Rimini<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7ar consigo;sem que a meta seja si mesmo; conhecer a si, mas n\u00e3o se preocupar consigo mesmo. \u201dSao Francisco certamente n\u00e3o leuO caminho do hememde Martin Buber (Qiqajon 1990), mas certamente caminhou &#8216;transcendendo&#8217; a si mesmo.<\/p>\n<p>L\u00ea-se no comunicado do Festival Franciscano 2013, elaborado entre outros por frei Paolo Martinelli, capuchinho, presidente do Instituto de espiritualidade franciscana na Faculdade Antonianum, em Roma.<\/p>\n<p>MSA (Menssageiro de Santo Ant\u00f4nio): O que significa caminhar para S\u00e3o Francisco?<\/p>\n<p>Martinelli: Em sua experi\u00eancia e na dos franciscanos, caminhar \u00e9 um sinal de itiner\u00e2ncia, isto \u00e9, da vida como itiner\u00e1rio, com uma meta e um destino: o mundo est\u00e1 passando, n\u00e3o \u00e9 negativo, mas n\u00e3o \u00e9 o objetivo final. Para certas filosofias o universo em si \u00e9 negativo, mas n\u00e3o \u00e9 assim em Francisco. Basta pensar no C\u00e2ntico do Irm\u00e3o Sol: a exist\u00eancia terrena, mesmo marcada pelo pecado, \u00e9 vontade de Deus.<\/p>\n<p>Atravessar significa n\u00e3o parar?<\/p>\n<p>Sim, n\u00e3o parar: a melhor forma para viver no mundo \u00e9 atravess\u00e1-lo, vivendo todas as circunst\u00e2ncias com uma perspectiva final. O caminho \u00e9 sempre sentido como antecipa\u00e7\u00e3o do sabor da meta, onde as coisas s\u00e3o belas porque levam para outro lugar.<\/p>\n<p>O objetivo, portanto, est\u00e1 al\u00e9m desta vida&#8230;<\/p>\n<p>Definitivamente. A exist\u00eancia franciscana tem um valor escatol\u00f3gico, isso n\u00e3o significa automaticamente a vida ap\u00f3s a morte: o que vivemos tem um significado que vai al\u00e9m do imediato.<\/p>\n<p>O senhor mencionou a vida ap\u00f3s a morte: muitas vezes \u00e9 representada como fixo e im\u00f3vel. Nada a ver com o &#8220;caminhar&#8221; ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Somos herdeiros de uma cultura que separou o elemento hist\u00f3rico do sobrenatural, por isso, mesmo a vida ap\u00f3s a morte \u00e9 apresentada como imponder\u00e1vel, est\u00e1tica e abstrata. Se fosse assim, tamb\u00e9m seria pouco desej\u00e1vel&#8230; Em vez disso, os santos nos d\u00e3o uma percep\u00e7\u00e3o de Deus extremamente vital e vivo, portanto, o caminho que o homem percorre na exist\u00eancia, de alguma forma antecipa a exist\u00eancia de Deus, que \u00e9 vida em si. Deus \u00e9 a profundidade m\u00e1xima de tudo que vivemos no mundo, justamente porque \u00e9 a origem e o destino. A ideia da Trindade, um Deus que \u00e9 comunh\u00e3o, evento eterno de amor, tem uma radical atrac\u00e3o vital. Cria o mundo como exuber\u00e2ncia de vida, tal como a liberdade que participamos.<\/p>\n<p>Mesmo os crist\u00e3os s\u00e3o acusados de &#8220;estagna\u00e7\u00e3o &#8220;. Em qualquer caminho de peregrina\u00e7\u00e3o, evidente que sim, os crist\u00e3os est\u00e3o a percorrer, mas tamb\u00e9m as pessoas que est\u00e3o \u201cem busca\u201d, como se o crist\u00e3o n\u00e3o procurasse mais nada.<\/p>\n<p>A realidade \u00e9, paradoxalmente, o oposto. Ter descoberto a resposta oferecida por Deus sugere ainda mais apergunta, mas n\u00e3ofecha a partida, que \u00e9 continuamente despertadapelo encontro com o Senhor. Santo Agostinho compreendeu: a busca do homem em rela\u00e7\u00e3o a Deus est\u00e1 continuamente aberta, porque Ele \u00e9 infinito, nunca se torna um &#8216;conceito&#8217; paracolocar nobolso.<\/p>\n<p>O cartaz do Festival identifica tr\u00eas formas de caminhar: a do errante, a do turista e a do peregrino. Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as?<\/p>\n<p>O errante n\u00e3o tem uma meta,o turista conhecea meta, mas n\u00e3o permite a mudan\u00e7a da viagem. Somenteo peregrinointerceptao trajetodo desejoprofundo, permanecendo fiel ao cora\u00e7\u00e3o do homem. Nesta dimens\u00e3o antropol\u00f3gica comum a todos, o crist\u00e3o acrescenta um elemento: a peregrina\u00e7\u00e3o conta a verdadeira rela\u00e7\u00e3o com Cristo, Aquele a quem deve sempre seguir e reencontrar.<\/p>\n<p>Como cultivar um esp\u00edrito de peregrino na vida cotidiana?<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da pobreza, que \u00e9 guardi\u00e3 do esp\u00edrito de itiner\u00e2ncia. A alternativa \u00e9 deter-se em algumacoisa ecriar uma meta falsa. Se nos prendemos em coisas, esperandooque n\u00e3o podem nos dar, no final,o caminho torna-se cheio de decep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Alberto Friso<\/p>\n<p>(26 de Setembro de 2013) \u00a9 Innovative Media Inc.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Frei Paolo Martinelli por ocasi\u00e3o do &#8220;Festival franciscano&#8221;, realizado em Rimini \u201cCome\u00e7ar consigo;sem que a meta seja si mesmo; conhecer a si, mas n\u00e3o se preocupar consigo mesmo. \u201dSao Francisco certamente n\u00e3o leuO caminho do hememde Martin Buber (Qiqajon 1990), mas certamente caminhou &#8216;transcendendo&#8217; a si mesmo. 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